Gosto de reflectir sobre a ideia, fascinante, de acelerar no ser humano o processo da aprendizagem. Gosto de me imaginar num cenário de um filme ligado a uma máquina, um acelerómetro da aprendizagem, sem fios por bluetooth, em que de um lado se encontram conhecimentos, atitudes, comportamentos, convicções, teorias, técnicas, práticas e experiências (competências) e do outro lado estava o meu ser total, qual plataforma de gestão de conhecimento, relacionado em redes sociais, com cérebro, coração e circunstâncias, sedento de fazer migração de conhecimento.
Descendo à realidade, constato que a aprendizagem é, em primeiro lugar, um exercício de vontade: vontade de aprender, qual elo motivacional fundante de uma cadeia de valor complexa, que exige motivação endógena (auto-motivação) e exógena.
Sem essa atitude primária essencial, bem podemos colocar tutores on-line e off line, tecnologia, meios, diversão outdoor, prémios e evolução na carreira. Tudo o que faz falta mas não chega.
Para aprender é preciso querer. Como num anúncio, que vi há dias num artigo numa revista sobre safaris e viagens: "as girafas sabem nadar, a questão é que não querem".
O fundamental é por isso, estimular a vontade.
Em segundo lugar, não me agrada a ideia de que a aprendizagem sempre exige esforço. O esforço é para mim uma variável do problema, não uma condição si ne qua non. Há muitos que pensam que só com esforço se pode aprender. Não sou dessa opinião. A brincar, também se aprende. Constato que em muitas circunstâncias aprender significa, foco, concentração, atenção, determinação validação e avaliação e isso exige esforço e desinstalação, mas noutras exige apenas uma enorme disponibilidade e prazer. É o caso quando ouvimos alguém que claramente nos inspira, e apenas se requer silêncio para não perturbar o momento de deleite. E isso perdura.
Os líderes das organizações, mas também os responsáveis de de formação e de gestão de recursos humanos, procuram garantir que o conhecimento não fique na pessoa mas na organização, criando para isso ambientes de aprendizagem mais eficazes. Esse é o desafio para os tempos de hoje. A mobilidade nas organizações exige que o conhecimento prevaleça, para além das pessoas, pese embora continuem a ser as pessoas as peças –chave do enigma. Por isso organizamos o conhecimento, procuramos fixá-lo em plataformas, e tornamo-lo acessível a outros e partilhamo-lo dentro das organizações. Criamos procedimentos, bases de dados, fluxos e tarefas e integramos sistemas de aprendizagem com gestão de competências e desempenho. Tudo fazemos para captar e desenvolver o génio dos brilhantes jogadores, que resolvem as partidas e fazem a diferença, e em simultâneo nos esmeramos nas tácticas, nas técnicas e nos esquemas de jogo.
Se a aprendizagem é um jogo, definitivamente está marcado pela mobilidade. A I.Zone desenvolveu uma plataforma para mobile learning orientada para departamentos de marketing e forças de vendas que passam muito tempo em viagens, fora do escritório e necessitam de ter acesso a informação e conhecimento de forma rápida, sintética e objectiva, acessível no suporte que é mais cómodo: o telemóvel. Com um um editor de conteúdos que permite utilizar vídeo, imagens, áudio e texto, possibilita também um módulo de exercícios para actividades de formação.
Outra das tendências da aprendizagem contemporânea, são as plataformas geradoras de ambientes virtuais de aprendizagem 2 D e 3D, que permitem re-criar “ecossistemas” de aprendizagem. Está lá tudo, o mundo virtual, recriado do real, as ferramentas de edição, criação e partilha de conteúdos, os chat, forum’ss, wikis, blogs e as ferramentas para ligação a redes sociais. Apresentam modelos sugestivos e envolventes, ao estilo second life, e servem magnificamente o propósito da comunidade organizada e do “social learning”. Têm mecanismos de controlo de acessos, visitas e alertas para incremento de actividade e para chamar regularmente o utilizador ao site, onde uma nova lista de actividades o espera. A I.Zone, desenvolveu uma destas plataformas que é usada para educação, mas também para o desenvolvimento de competências de profissionais em contexto organizacional. Assume o cariz de jogo multiplayer, interactivo onde cada utilizador representa um papel e tem por isso uma personagem (a sua) que pode configurar, seleccionando a forma, o sexo, o estilo, o tipo de roupa. Essa personagem, passa a ser a sua nova identidade para o mundo virtual. Estes ambientes são adequadas para estimular aprendizagens de médio prazo, e estimular e medir comportamentos: cidadania, consciência ecológica, trabalho de equipa, mas também simular a actuação e tomada de decisão em incidentes críticos que não ocorrem todos os dias na vida dos mais diversos profissionais.
Dada a complexidade técnica e pedagógica destes ambientes, é usual as empresas recorrerem a serviços ou a outsourcing de especialistas que ajudem na criação, desenvolvimento e dinamização de novos ambientes de aprendizagem.
A I.Zone desenvolveu o Conceito de Fábrica de Conteúdos Multimédia, a partir da qual disponibiliza a sua capacidade técnica e tecnológica em regime de outsourcing com o objectivo de desenvolver para os seus clientes conteúdos interactivos multimédia para projectos de e-learning, suportados por diferentes plataformas e ambientes técnicos como SCORM e AICC, Moodle, Blackboard, SumTotal, mas também a possibilidade de consultoria pedagógica no desenho e concepção de jogos interactivos e na criação de ecossistemas de aprendizagens mais ricos e estimulantes.
A questão é simples: todas as girafas sabem nadar, a questão é quererem fazê-lo.
Rui Falcão, Presidente da I.Zone SGPS, SA
In Semanário EXPRESSO, 29/01/2011